terça-feira, 5 de março de 2013

VIDEO INTEGRALE BENTO XVI Também nós, com o dom do seu Espírito, podemos dirigir-nos a Deus, mediante a oração, com a confiança de filhos, invocando-o com o nome de Pai, «Abá». Mas devemos ter o coração dos pequeninos, dos «pobres de espírito»

Pope Benedict XVI salutes faithful on April 17, 2010 outside St 
Paul church in Rabat. Pope Benedict XVI said Saturday the Roman Catholic
 Church had been wounded by sin as he flew to Malta on his first foreign
 trip since a wave of priest sex abuse scandals broke in Europe and the 
United States.
















7 de dezembro de 2011, A jóia do Hino de júbilo (Vídeo)[Alemão, Croata,Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]
UDIENZA GENERALE: VIDEO INTEGRALE

CATECHESI DEL SANTO PADRE: AUDIO INTEGRALE DI RADIO VATICANA
PAPA BENTO XVI
AUDIÊNCIA GERAL
Sala Paulo VIQuarta-feira, 7 de Dezembro de 2011

A jóia do Hino de júbilo
Queridos irmãos e irmãs!
Os evangelistas Mateus e Lucas (cf. Mt 11, 25-30; e Lc 10, 21-22) deixaram-nos em herança uma «joia» da oração de Jesus, que muitas vezes é chamado Hino de júbilo, ou Hino de júbilo messiânico. Trata-se de uma oração de reconhecimento e de louvor, como pudemos ouvir. No original grego dos Evangelhos, o verbo com que este hino começa, e que expressa a atitude de Jesus quando se dirige ao Pai, é exomologoumai, traduzido frequentemente com «presto louvor» (Mt 11, 25 e Lc 10, 21). Mas nos escritos do Novo Testamento, este verbo indica principalmente estas duas coisas: a primeira é «reconhecer até ao fundo» — por exemplo, João Baptista pedia que se reconhecesse até ao fundo os próprios pecados, àqueles que iam ter com ele para se fazer baptizar (cf. Mt 3, 6); a segunda coisa consiste em «estar de acordo». Portanto, a expressão com que Jesus dá início à sua oração contém o seu reconhecer até ao fundo, plenamente, o agir de Deus Pai e, ao mesmo tempo, o seu estar em total, consciente e jubiloso acordo com este modo de agir, com o desígnio do Pai. O Hino de júbilo constitui o ápice de um caminho de oração no qual sobressai claramente a profunda e íntima comunhão de Jesus com a vida do Pai no Espírito Santo, e manifesta-se a sua filiação divina.
Jesus dirige-se a Deus, chamando-lhe «Pai». Este termo expressa a consciência e a certeza de Jesus, de que é «o Filho», e está em comunhão íntima e constante com Ele, e este é o ponto central e a fonte de cada oração de Jesus. Vemo-lo claramente na última parte do Hino, que ilumina todo o texto. Jesus diz: «Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai, a não ser o Filho, e aquele a quem o Filho houver por bem revelar-lho» (Lc 10, 22). Por conseguinte, Jesus afirma que somente «o Filho» conhece verdadeiramente o Pai. Cada conhecimento entre as pessoas — todos nós o experimentamos nos nossos relacionamentos humanos — exige um envolvimento, um certo vínculo interior entre aquele que conhece e aquele é conhecido, a nível mais ou menos profundo: não se pode conhecer, sem uma comunhão do ser.

No Hino de júbilo, como em cada uma das suas orações, Jesus demonstra que o verdadeiro conhecimento de Deus pressupõe a comunhão com Ele: só permanecendo em comunhão com o outro, começo a conhecer; e assim também com Deus: só se eu tiver um contacto verdadeiro, se estiver em comunhão, posso também conhecê-lo. Portanto, o verdadeiro conhecimento está reservado ao Filho, o Unigénito que desde sempre se encontra no seio do Pai (cf. Jo 1, 18), em perfeita unidade com Ele. Somente o Filho conhece verdadeiramente Deus, permanecendo em comunhão íntima do ser; só o Filho pode revelar verdadeiramente quem é Deus.
O nome «Pai» é seguido por um segundo título, «Senhor do céu e da terra». Com esta expressão, Jesus recapitula a fé na criação e faz ressoar as primeiras palavras da Sagrada Escritura: «No princípio, Deus criou o céu e a terra» (Gn 1, 1).

Rezando, Ele evoca a grandiosa narração bíblica da história de amor de Deus pelo homem, que começa com a obra da criação. Jesus insere-se nesta história de amor, constitui o seu ápice e o seu cumprimento. Na sua experiência de oração, a Sagrada Escritura é iluminada e revive na sua mais completa amplidão: anúncio do mistério de Deus e resposta do homem transformado. Todavia, através da expressão: «Senhor do céu e da terra» podemos reconhecer também o modo como em Jesus, o Revelador do Pai, volta a apresentar-se ao homem a possibilidade de aceder a Deus.

Agora, interroguemo-nos: a quem deseja o Filho, revelar os mistérios de Deus? No início do Hino, Jesus manifesta a sua alegria, porque a vontade do Pai consiste em manter estas coisas escondidas aos doutos e aos sábios, e em revelá-las aos pequeninos (cf. Lc 10, 21). Nesta expressão da sua oração, Jesus manifesta a sua comunhão com a decisão do Pai, que revela os seus mistérios a quantos têm um coração simples: a vontade do Filho é uma só com a do Pai. A revelação divina não se realiza em conformidade com a lógica terrena, para a qual são os homens cultos e poderosos que possuem os conhecimentos importantes e que depois os transmitem às pessoas mais simples, aos pequeninos. Deus recorreu a um outro estilo: os destinatários da sua comunicação foram precisamente os «pequeninos». Esta é a vontade do Pai, e o Filho compartilha-a com alegria.

O Catecismo da Igreja Católica diz: «O seu estremecimento — “Sim Pai!” — revela o íntimo do seu coração, a sua adesão ao “beneplácito” do Pai, como um eco do “Fiat” da sua Mãe aquando da sua concepção e como prelúdio do que Ele próprio dirá ao Pai na sua agonia. Toda a oração de Jesus está nesta adesão amorosa do seu coração de homem ao “mistério da vontade” do Pai (Ef 1, 9)» (n. 2.603). Daqui deriva a invocação que, no Pai-Nosso dirigimos a Deus: «Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu»: com Cristo e em Cristo, também nós pedimos para entrar em sintonia com a vontade do Pai, tornando-nos assim também nós seus filhos. Portanto, neste Hino de júbilo Jesus manifesta a vontade de empenhar no seu conhecimento filial de Deus todos aqueles que o Pai quer tornar partícipes do mesmo; e aqueles que recebem esta dádiva são os «pequeninos».

Mas o que significa «ser pequenino», simples? Qual é «a pequenez» que abre o homem à intimidade filial com Deus e ao acolhimento da sua vontade? Qual deve ser a atitude de fundo da nossa oração? Meditemos sobre o «Sermão da montanha», onde Jesus afirma: «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5, 8). É a pureza do coração, aquela que permite reconhecer o rosto de Deus em Jesus Cristo; é ter um coração simples, como o das crianças, sem a presunção daqueles que se fecham em si mesmos, pensando que não têm necessidade de ninguém, nem sequer de Deus.

É interessante observar também a ocasião em que Jesus irrompe neste Hino ao Pai. Na narração evangélica de Mateus, é a alegria porque, não obstante as oposições e as rejeições, existem «pequeninos» que acolhem a sua palavra e se abrem ao dom da fé n’Ele. Com efeito, o Hino de júbilo é precedido pelo contraste entre o elogio de João Baptista, um dos «pequeninos» que reconheceram o agir de Deus em Jesus Cristo (cf. Mt 11, 2-19), e a repreensão pela incredulidade das cidades do lago, «nas quais se tinha verificado a maior parte dos seus milagres» (cf. Mt 11, 20-24). Por conseguinte, o júbilo é visto por Mateus em relação às palavras com as quais Jesus constata a eficácia da sua palavra e da sua obra: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos vêem os coxos andam, os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa Nova é anunciada aos pobres... Bem-aventurado aquele que não encontra em mim ocasião de escândalo!» (Mt 11, 4-6).
Inclusive são Lucas apresenta o Hino de júbilo relacionado com um momento de desenvolvimento do anúncio do Evangelho. Jesus enviou os «setenta e dois discípulos» (Lc 10, 1) e eles partiram com um sentido de temor pelo possível insucesso da sua missão. Também são Lucas sublinha a rejeição que encontrou nas cidades onde o Senhor pregou e realizou sinais prodigiosos. Mas os setenta e dois discípulos voltam cheios de alegria, porque a sua missão teve bom êxito; eles constataram que, com o poder da palavra de Jesus, os males do homem são derrotados. E Jesus compartilha a sua satisfação: «naquela mesma hora», naquele momento, Ele exultou de alegria.

Existem ainda dois elementos, que eu gostaria de ressaltar. O evangelista Lucas introduz a oração, com a seguinte anotação: «Jesus exultou de alegria no Espírito Santo» (Lc 10, 21). Jesus rejubila, a partir do íntimo de Si mesmo, naquilo que Ele possui de mais profundo: a singular comunhão de conhecimento e de amor com o Pai, a plenitude do Espírito Santo. Empenhando-nos na sua filiação, Jesus convida-nos, também a nós, a abrir-nos à luz do Espírito Santo, porque — como afirma o apóstolo Paulo — «(nós) não sabemos... rezar de maneira conveniente, mas o próprio Espírito intercede com gemidos inefáveis... de acordo com os desígnios de Deus» (Rm 8, 26-27), revelando-nos o amor do Pai.

No Evangelho de Mateus, depois do Hino de júbilo, encontramos um dos apelos mais urgentes de Jesus: «Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos, e Eu aliviar-vos-ei» (Mt 11, 28). Jesus pede-nos para ir ter com Ele, que é a verdadeira sabedoria, com Ele que é «manso e humilde de coração»; propõe «o seu jugo», o caminho da sabedoria do Evangelho, que não é uma doutrina a aprender, nem uma proposta ética, mas uma Pessoa a seguir: Ele mesmo, o Filho Unigénito, em perfeita comunhão com o Pai.

Estimados irmãos e irmãs, considerámos por um momento a riqueza desta oração de Jesus. Também nós, com o dom do seu Espírito, podemos dirigir-nos a Deus, mediante a oração, com a confiança de filhos, invocando-o com o nome de Pai, «Abá». Mas devemos ter o coração dos pequeninos, dos «pobres de espírito» (Mt 5, 3), para reconhecer que não somos auto-suficientes, que não podemos construir a nossa vida sozinhos, mas precisamos de Deus, temos necessidade de O encontrar e escutar, de lhe falar. A oração abre-nos à recepção do dom de Deus, à sua sabedoria, que é o próprio Jesus, para cumprir a vontade do Pai sobre a nossa vida e encontrar assim alívio nas dificuldades do nosso caminho. Obrigado!

Saudação
A todos os presentes de língua portuguesa, a minha grata saudação de boas-vindas a este nosso encontro, que tem lugar na véspera da festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Sobre os passos da vossa peregrinação terrena, vele carinhosa a Virgem Mãe para, com Ela e como Ela, serdes os «pequeninos» de Deus e deste modo saírdes vencedores das ciladas da serpente infernal. Como penhor dos favores do Alto para vós e vossos entes queridos, dou-vos a minha Bênção.

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